Tudo Sobre Meu Pai

Meu pai era uma pessoa festiva. Estava sempre pronto para um encontro e um bate-papo com amigos – ele considerava amigos praticamente todos os que ele conhecia por mais de 10 minutos.

Me lembro da Copa do Mundo no México, em 1986 (“Mexe, mexe, mexe, coração!, vamos que vamos, que essa bola vai rolar…”), e do meu pai invadindo a pista da Rodovia do Sol, em Vila Velha, gritando ensandecido e acenando para os carros que vinham businando, todos agitando a bandeira, a cada gol do Brasil. Mais que Copa do Mundo, meu pai amava futebol e ninguém escapava dos sermões que ele dava a todos, explicando por A+ B porque o Vasco era o melhor time do mundo. Quando ele se deitava no tapete da sala para acompanhar uma partida pela televisão, eu me juntava a ele e o enchia de perguntas: Mas por que foi falta? Por que ele estava impedido? O que é escanteio? Na maioria das vezes ele respondia paciente, mas lembro de uma vez que ele me mandou anotar todas as perguntas num caderninho, e ele responderia durante o intervalo. E eu assim o fiz.

Uma vez fomos ao estádio da Desportiva acompanhar o treino do Vasco. Em um determinado momento, meu irmão mais novo que não devia ter muito mais que 10 anos, se muito, desapareceu. Procura daqui, procura dali, e de repente meu pai se derrete num sorriso orgulhoso, apontando para o campo: Lá está ele! Meu irmão estava no meio dos jogadores no campo, íntimo da bola.

E foi justamente num dia festivo, de Copa do Mundo de 2018 na Rússia, dia da vitória do Brasil contra a Costa Rica na primeira fase do campeonato, que meu pai escolheu para partir dessa vida.

Minhas lembranças mais distantes do meu pai me levam a uma boneca Pedrita, que ele me prometeu se eu aceitasse abandonar a chupeta. Do pai da minha infância, me lembro das tantas e longas viagens de carro que fizemos para o Rio, pra Aimorés, Mutum, Ipatinga e Salvador. E das noites em que, ele ao violão, cantamos “Índia” e “If I Fell” antes de ir dormir. Meu pai amava os Beatles. E A Jovem Guarda. E moto, e barco. E carros: lembro de um Dodge azul, caindo aos pedaços, de que os amigos tiravam o maior sarro chamando de “Trovão Azul”. Meu pai tinha uma coisa com carros velhos.

Ele me inspirou a me iniciar na corrida – foi com ele dei minha primeira corridinha no bairro onde morávamos, há tantos anos.

Nos meus aniversários, era muito importante pra ele ser o primeiro a me dar os parabéns, nem que pra isso ele precisasse acordar de madrugada ou esperar que desse a meia-noite na Dinamarca. Na época da escola, ele conversava com todos os meus professores. Perdi as contas de quantas vezes ouvi de alguém: “Você é a filha do Julião Kaiser?!” como se referindo a uma celebridade.

Meu pai se achava o melhor motorista do mundo, e lembro de quantas vezes ele perdia a paciência com as “Donas Marias” que “estavam passeando” no trânsito. Acho que isso eu herdei dele.

Meu pai se sentia muito confortável nas casas dos outros. Chegava na casa de alguém e não fazia a menor cerimônia antes de se esticar no sofá alheio com as pernas pra cima e pedir uma água, suco ou refrigerante. Ele nunca deixou de ser criança, acho. Fantasiava coisas grandes, invenções malucas, era como se qualquer coisa fosse possível. Não tinha a menor dificuldade em pedir ajuda, dinheiro nem favores pra qualquer pessoa. Eu confesso que isso às vezes me envergonhava. Mas eu imagino que pro meu pai, qualquer pessoa podia fazer o mesmo com ele – na minha lembrança, ele estava sempre pronto pra ajudar, dar carona, convidar pra um almoço qualquer pessoa – sem distinção.

Meu pai não tinha vergonha em expressar o que pensava. Falava com orgulho e convicção de Jesus, do Vasco e de Bolsonaro. Nos confrontamos em muitas discussões acaloradas, até que eu decidi aceitá-lo e pronto – incondicionalmente, e em vez de política, religião ou futebol, falávamos sobre meus filhos, a Dinamarca, comida, música.

Sempre que tinha a oportunidade, meu pai expressava tamanho orgulho de mim que até me desconcertava. Eu era a filha genial que aos 8 anos tinha escrito uma historinha fantástica sobre uma centopéia, que ele mandou publicar na “A Gazetinha”. A filha que amava tanto ler e escrever que certamente seria escritora, ele dizia. Ou então veterinária, porque eu amava tanto os animais que uma vez, tirei as asas e o ferrão de um mosquito e o coloquei pra dormir comigo, no meu travesseiro.

Acabei virando professora de inglês. Decepcionei-o de outras formas, como quando tirei 6 em matemática aos 12 anos e quando reprovei no primeiro ano do segundo grau, aos 15. As Exatas que ele tanto amava e que tanto tentou me fazer entender nunca fizeram muito sentido para o meu cérebro de Humanas. Nunca torci para o Vasco e na política também nunca nos entendemos.

Nosso último encontro foi há dois anos. Almoçamos moqueca na Praia da Costa, fomos à igreja juntos. Ao fim do culto, fui cercada por pessoas queridas querendo conversar, e meu pai foi buscar Emilia e Noah na salinha das crianças. Imagino o orgulho dele dos seus loirinhos, naquele dia tão feliz.

A distância física nos afastou. Eu saí do Facebook há alguns anos e nosso contato era mais pelo WhatsApp. Mas eu tinha pouco tempo pra ele. Qualquer pessoa que me conheça melhor sabe da minha aversão por telefone, então eu acabava tendo pouca disponibilidade pra “bater-papo”. Mas pai, se eu soubesse que domingo passado teria sido a última oportunidade, teria atendido a sua chamada.

Última conversa

Chamada de Vídeo perdida

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Pra onde você vai? Eu quero te ajudar :)

Estou querendo mudar de ramo. Mas pra ter certeza do que eu quero, preciso treinar um pouco, e explorar o novo mercado. Por isso resolvi fazer um teste. Por favor, leia minha proposta a seguir.

Você precisa de férias calmas, ou não. Na praia, ou na cidade grande. Com ou sem agito. Em pousada ou resort. Na Europa, no Brasil, ou nos EUA, ainda não sabe ao certo. Vai de avião, aluga carro ou bicicleta, ai, é tanta coisa pra pensar, pra decidir que você já está cansado antes mesmo de começar a planejar.

Ao mesmo tempo, você não quer comprar um famigerado pacote e se juntar a 3584 outras pessoas num passeio oferecido por uma grande agência. A facilidade dos pacotes comprados não compensa pra você que quer um roteiro costuradinho – pensado especialmente no seu estilo, nas suas expectativas e no seu bolso, claro.

Seus problemas acabaram! Eu quero te ajudar.

Eu adoro planejar viagens – pra mim ou para os outros. Curto ajudar conhecidos a acharem aquele hotel, aquele restaurante ou aquele passeio que se encaixa perfeitamente no roteiro. Adoro ler sobre os destinos, sobre as melhores dicas para fugir de armadilhas turísticas.

Quero te ajudar a planejar e te entregar um guia personalizado em PDF, com o passo a passo pra sua viagem dos sonhos, ou simplesmente a sua próxima viagem, seja onde for.

Que tal?

As minhas próximas viagens serão em abril e maio, respectivamente, para Munique e Barcelona. Elas já estão bem planejadinhas. Pra onde você quer ir? Eu te ajudo.

Se você se interessar, deixe seu email nos comentários que eu entro em contato com você. Esse serviço é uma cortesia, claro, para os meus muitos primeiros clientes 🙂

À bientôt 🙂

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Voe Gol, mas você pode ficar sem suas malas

Quando estamos no Brasil, sempre viajamos com a Gol. Ou viajávamos. Durante um trecho entre Salvador e Santos Dumont, a Gol conseguiu quebrar (quebrar mesmo, rachar ao meio) nossa excelente mala Samsonite de fibra, razoavelmente nova, e o carrinho do Noah, um McLaren novinho em folha. Percebemos os danos ainda perto da esteira, e nos dirigimos ao balcão da Gol para fazer a reclamação.

A atendente me perguntou se havia alguma loja da Gol próxima da minha residência. Eu dise que não, que a Gol ainda não voa pra Dinamarca, onde moro. Ela ainda não tinha entendido e reiterou a pergunta: Mas não tem nenhuma loja da Gol próximo? (suspirei fundo, expliquei que não).

Ela continuou: A Gol leva entre 30 e 35 dias para fazer o conserto das peças danificadas, e a senhora precisaria estar buscando essas peças na loja da Gol, mas como não tem loja da Gol onde a senhora mora, infelizmente não podemos fazer nada.

JURA?! Então a Gol estraga as coisas dos passageiros e se eles morarem no exterior, que se lasquem?!

Eu disse: Quero falar com seu gerente.

Ela me indicou o caminho pra ir falar com o gerente e lá fui eu com menino, marido, mala quebrada e tudo.

Chegando lá, ele me diz a mesma coisa que a atendente já tinha dito, que era pra eu preencher uma papelada, protocolo, o escambau – mas que se não tivesse loja da Gol perto, o caso era encerrado.

Preenchi a papelada pensando: Que grandessíssima perda de tempo – JAMAIS obterei alguma compensação da Gol, mesmo. Aqui no Brasil é assim.

Dei o caso como encerrado, fiquei com o ônus.

Semanas depois recebo a seguinte comunicação da Gol:

“Seu protocolofoi solucionado. Click no link abaixo para ler a finalização do seu chamado”

Eu cliquei, imaginando que fosse ler algo do tipo – estaremos restituindo a senhora no valor de xxxx referentes à bagagem danificada – mas eu, Alice que sou, levei um susto ao ler:

“Sra Flávia, por favor caso a senhora deseje verificar sobre dano na bagagem se tem 7 dias corridos a contar da data do desembarque por favor se dirigir ate aeroporto com a bagagem e etiqueta para analise. Agradecemos sua atenção.”

Ca******… no protocolo constava o meu endereco bem grande. Que parte de “não há loja da Gol na Dinamarca” eles esqueceram de averiguar?!

Minha resposta, para a qual não houve mais resposta, foi:

Foi solucionado pra quem? Pra vocês né? Que lavaram as mãos e eu que arque com o ônus, literalmente! Conseguiram destruir uma mala dura de fibra da Samsonite e um carrinho de bebê de uma só vez, esse é o cuidado da Gol para com seus clientes. Eu registro queixa assim que desembarco, todos vêem o dano na minha bagagem, dizem que vai levar 35 dias pra “consertar” o que não tem conserto e quando eu respondo que não tenho 35 dias, apenas 7 pois não moro no Brasil (como consta no protocolo que preenchi!!!!!!!) e estava voltando pra minha casa onde não há loja da Gol (jura que vocês não sabem que não tem Gol na Europa????), me fazem perder mais tempo preenchendo uma papelada (que eu SABIA) que nunca será lida ou levada a sério.

Quando foi que o servico ao cliente no Brasil se tornou o pior do mundo? Não sei, já estou fora há muitos anos, mas não lembro de ter sido tão ruim assim, não.

Daí olhem que lindo: hoje abro o site da Globo.com e me deparo com a seguinte reportagem.

Olha, não tá fácil pra ninguém, viu?

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Ilha Grande – paraíso ameaçado :(

Há 11 anos, passei um dos melhores e mais inesquecíveis reveillons da minha vida: a virada de 2002 para 2003 foi em Ilha Grande (RJ) na companhia maravilhosa de 8 amigos. Na memória, ficaram cenas das praias transparentes, do cenário paradisíaco da mata atlântica, a trilha de 4 horas de Araçatiba a Aventureiro.

Eu tinha muita vontade de levar meu marido a esse paraíso na Terra, e nessa última viagem ao Brasil pude planejar o retorno à ilha.

A realidade agora é outra: com dois filhos pequenos, não dá pra fazer trilha de 4 horas. Mas Ilha Grande tem pra todo mundo, é só se organizar!

Primeiro: onde ficar?

Combinamos a viagem com mais dois casais de amigos. Indo assim em grupo e com criança pequena, a melhor opção é alugar uma casa. Pela internet afora encontramos a casa perfeita para a nossa estadia, a Ilha Grande Beach House. Tudo nessa casa era perfeito! Camas extremamente confortáveis (lençóis divinos Ralph Lauren!), ar condicionado nos quartos, TV e laptop da melhor qualidade, utensílios de cozinha TOP, top mesmo. Piscina, jaccuzzi, churrasqueira, uma área externa de-lí-cia com mesão e redes…  a casa fica literalmente na beira da praia do canto, afastadinha uns 500m do centrinho de Abraão. Além de tudo isso, negociar nossa estadia com a dona, a Regina, foi SUPER tranquilo. Está mais que recomendada!

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Desembarcamos no Santos Dumont, no Rio, onde o Tony França (21- 9942-24542 e 21- 7834-8837, super recomendado) já nos esperava com a van que nos levaria a Conceição de Jacareí, cidade ao sul do Rio, indo para Angra dos Reis, de onde saem barcas para a Ilha e de onde o percurso navegado é o mais curto (as outras opções são pegar a barca em Mangaratiba ou Angra dos Reis). São só 11km numa linha reta do cais até a ilha (cerca de 50min em escuna, e 25 min em lancha rápida). Com criancas, nem pense em querer sair do aeroporto, ir para a rodoviária e pegar o busu pra Angra. Muito mais fácil e prático contratar o transfer com antecedência, já que a viagem inteira é super cansativa (vindo de Salvador, voamos a manhã toda, o transfer até Conceição levou 3 horas porque pegamos engarrafamento quilométrico na estrada, mais a travessia de barca… acredite, a gente fica só no pó).

Finalmente bem instalados na nossa casa loosho, todos só pensavam em uma coisa: dormir! Nessa primeira noite choveu um bocado, e no restante da nossa estadia foi só sol e calor.

Resumo dos passeios que fizemos durante os seis dias inteiros que passamos na Ilha:

1. Caminhando para a direita da praia do canto, há uma trilha que leva a prainhas escondidas, e quanto mais a gente avança, mais vazias, bonitas e limpas as prainhas são. A gente caminhou uns 10-15 minutos pra chegar numa prainha bem gostosa, logo depois do Sagu Mini-Resort.

2. Uma trilha tranquilíssima é a que leva ao Poção – um piscinão com uma mini cachoeirinha que fica a uns 30 minutos no máximo do centro de Abraão. Nós nos revezamos – um dia os homens passearam, e as mulheres ficaram em casa com as crianças, e no dia seguinte o contrário – e fizemos uma trilha mais longa, até a Cachoeira da Feiticeira (cerca de 1h15m de caminhada, tranquilo), passando pelo Poção.

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3. Contrate um barco pra fazer passeios exclusivos e privados. Nós contratamos o Betinho, da lancha “Bem-me-Quer” (tel 24 999131463) e em sua lanchinha fizemos dois passeios: um pra praia do Pouso de onde sai a trilha para Lopes Mendes (meio dia de passeio, com almoço) e um de dia inteiro, chamado “meia ilha”, que passa pelas Lagoas Verde e Azul, Saco do Céu, Bananal, etc. Crianças pequenas podem facilmente tirar uma soneca dentro da lancha enquanto o resto do grupo estiver numa praia.

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4. Para a esquerda do centro de Abraão – caminhando 15-20 minutos, chega-se à Praia da Areia Preta, uma prainha delícia, onde um riachinho deságua – o cenário é lindo. Ali passa-se por um mirante de cair qualquer queixo.

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A Ilha tem muitos restaurantes e mercadinhos. Ninguém passa perrengue!

Uma coisa apenas me entristeceu demais nessa viagem. Foi constatar a quantidade de lixo que as pessoas deixam pra trás, nas areias, nas trilhas, na água, aparentemente sem o menor peso na consciência. Que tristeza, gente 😦 Dica: onde eu ia, levava sempre um saquinho de lixo – recolhia todo o lixo à minha volta. O meu e o dos preguiçosos mal-educados de plantão.

Leia mais sobre Ilha Grande aqui.

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Onde o rio Pojuca encontra o mar de Itacimirim

Olha, eu nem queria fazer muita propaganda desse paraíso. Mas tive que compartilhar com vocês essas fotos 🙂

Rio Pojuca

Rio Pojuca

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Costa do Sauípe: porque eu não recomendo

Desde sempre, tenho preconceito contra resortões. A ideia das multidões se acotovelando na fila do almoco ou dentro de uma piscina sempre me assustou. Depois de ter me hospedado na Pousada do Toque então, exclusivérrima, em 2008, passei a ter mais certeza ainda de que resort não é pra mim, não nessa vida.

Mas depois dos filhos, a gente precisa pensar em praticalidades, tudo precisa ser o mais facilitado possível para evitar estresse. Meu filho tem 1 ano e 4 meses e é um furacão, super temperamental, precisa gastar energia. Minha filha tem 4 anos e precisa também de entretenimento, e a logística nas férias tem  que ser a mais descomplicada possível para que a gente se divirta e o estresse seja o mínimo possível. Todos que viajam com filhos pequenos sabem do que estou falando.

Por isso, ao vir ao Brasil por 1 mês de férias, principalmente quando ão se pode vir todo ano, precisa ser bem planejado para que seja especial, para que seja inesquecível, para que todos curtam e lembrem das férias com gosto de saudade.

De estadia acertada na casa que meu tio tem em Itacimirim, ao norte de Salvador, resolvi pesquisar entre os resorts da região para passarmos 2 dias e aproveitarmos tudo o que um resort pode nos oferecer: kids’ club, piscinas, restaurantes com cardápio variado, etc. Depois de muito ler, optei pela Costa do Sauípe – especificamente o Sauípe Park.

Fiz a reserva pelo Booking.com uns 2 meses antes da nossa chegada e no dia 18 de dezembro de 2013 dirigimos os 25km entre Itacimirim e o Sauípe, onde chegamos às 4 da tarde num dia de sol e calor.

 Na guarita, o primeiro estresse. Um estresse mínimo, claro, irrisório e que teria sido esquecido não fossem os subsequentes no resto do dia. O senhor sentado na guarita me diz:

 – Pois não?

 (eu penso: como assim poisnão? Estamos chegando num resort e ele espera que eu diga o que, vim comprar um quilo de carne?)

 – Boa tarde, eu respondo – temos uma reserva.

–  Ah, sim. Cadê o voucher?

 (Chocada. O ano é 2013, o assunto da moda é a sustentabilidade e não se imprime papel a toa, nem passagem de avião se imprime mais, meu senhor…)

 – Não imprimi voucher nenhum. Tenho aqui meus documentos e o senhor pode achar minha reserva pelo meu nome – eu respondo, apresentando meu passaporte.

 O homem passa os próximos 20 minutos tentando achar minha reserva. Desligamos o motor do carro, abrimos as janelas, as criancas comecam a ficar impacientes…

 O homem liga pra um, liga pra outro, tenta soletrar meu nome, meu sobrenome, sem sucesso. Eu o ajudo. Vamos lá, K-a-i-s-e-r, F-la-v-i-a.

Não acha. Por fim me pede para que a gente se dirija a uma recepcão, logo na entrada do complexo. Seguimos pra lá, eu salto com meu passaporte pronta pra falar um monte, mas a mulher atrás do balcão encontra minha reserva sem nenhuma dificuldade e nos deixa seguir.

Agora saltamos na frente do Sauípe Park e vamos fazer o check-in. O visual impressiona. Imaginamos que teríamos 2 dias muito legais pela frente. À mulher na recepcão, que repete as mesmas explicacões vinte milhões de vezes por dia (aqui está a chave da copa do bebê, aqui está o cartão toalha, que a senhora deve entregar no quiosque da piscina, o restaurante abre hora tal, e bla bla bla), eu pergunto:

 – O bercinho que eu solicitei no momento da reserva pelo Booking, já está no nosso quarto?-

–  Não senhora, mas estarei fazendo o pedido e tanto o bercinho quanto a banheirinha estarão sendo enviados o mais rápido possível para o quarto da senhora.

Depois de algum tempo finalmente posso fazer o pagamento (total, diga-se de passagem – procede, producão? No momento do chek-in deve-se fazer o pagamento total da estadia? Achava que isso era só no check-out). Ela diz o valor, a maquininha do cartão mostra um valor diferente, 100 reais a mais, eu imagino que tenha entendido o valor errado, enfim, faco o pagamento e subimos pro quarto.

Desfazemos a malinha, damos uma olhada básica da varanda, uau, tudo parece muito bonito, camas grandes, banheiro decente.

Esperamos um pouco pelo tal bercinho, mas o dia comeca a escurecer e não queremos perder muito mais tempo, então decidimos descer e dar uma olhada no lugar. O telefone toca.

 – Senhora Flavia, é da recepcão. Por engano acabei cobrando 100 reais a mais no seu cartão, a senhora faz o favor de descer pra gente efetuar o estorno?

Como queremos aproveitar o resto do dia, respondo que eu passaria por lá pra resolver o problema do pagamento depois do jantar. E assim, seguimos pro Kids’ Club.

Eu detestei o espaco Kids, mas isso é minha visão pessoal. Uma tv fica ligada tocando o dvd da famigerada Galinha Pintadinha na maior altura, sem que tenha ninguém assistindo. Um incômodo. Vez ou outra passa um monitor mal humorado, alguns balbuciam um automático “Boa tarde”. TODOS os funcionários do resort estão treinados como poodles de circo a dizer bom dia, boa tarde ou boa noite a todos os hóspedes sempre que passam por eles. Totalmente forcado e chato.

Enfim seguimos para o jantar às 7 horas, hora que considero muitíssimo tarde para o início do jantar, considerando que resorts são lotados de criancas sempre, e muitas criancas dormem cedo – como as minhas, que às 7 estão, geralmente, já deitadas em suas caminhas. Assim o plano era comer e correr pro quarto antes que duas criancas extremamente cansadas comecassem a dar chilique.

Chegamos no quarto pouco antes das 8, e surpresa! Nada do bercinho. Desci para a recepcão com a minha filha, para resolver o problema do estorno e perguntar pelo berco. O recepcionista ligou pra alguém, que informou que o bercinho estava a caminho (ainda?!). E iniciou-se o processo de tentar retornar meus 100 reais.

O recepcionista passou o cartão numa máquina, depois na outra, ligou pra alguém, tentou com um código, com outro, ligou pra mais outro alguém, e nada de conseguir fazer o estorno. Chega então a menina que tinha efetuado o meu check-in, e cobrado a mais. Ela também tenta em vão. Ligam para várias pessoas. Aparentemente ninguém sabe o segredo de se devolver 100 reais cobrados indevidamente. Então chega uma terceira pessoa. O recepcionista “brinca”:

 – Sheila! A Sheila vai resolver. Se ela não conseguir, ninguém mais consegue!

Sheila não tem a menor nocão de atendimento ao cliente. Chega e nem olha para mim, que a essa altura já estava ali em pé há pelo menos meia hora. Sheila tenta uma, duas, três vezes sem sucesso. Até que pouco antes das 9 da noite – sim, cerca de uma hora em pé na recepcão esperando resolverem o problema, minha filha perguntando a todo segundo que horas pode ir dormir, que está cansada, etc. – eu finalmente digo:

 – Sheila, me dê meu cartão. Vou subir agora, estou cansada e minha filha também. Amanhã resolvemos isso.

Sheila se recusa a me devolver meu cartão, soltando um automático “Só 5 minutos, senhora” e eu me pergunto por que dou mais uma chance. Mas depois de poucos minutos e nenhum progresso no caso, minha filha comeca a dar sinais de que vai cair de sono sobre o balcão e eu literalmente tomo meu cartão da mão de Sheila e digo que vou subir.

 – Senhora, se não resolver isso hoje amanhã não dá mais, ela me ameaca. Eu chamo isso de ameaca.

Eu ignoro e vou pro meu quarto… quando descubro que o nem bercinho, nem a banheirinha tinham chegado. São 9 da noite, meu filho chora no colo do pai, que, nervoso, já tinha ligado pra central de atendimento perguntando sobre o paradeiro do berco. Mas claro que ninguém no Sauípe fala inglês. Ligo eu, dessa vez, e pergunto:

 – Cadê a caminha do meu filho, Fulana?!

– Cadê o que, senhora?

– A caminha do meu filho!!!!

– Caminha? Aaaah o bercinho, a senhora quer dizer né?

Ah, gente. Se eu não fosse essa pessoa bem-educada que vos escreve…

Nesse momento o bercinho chega. No mesmo instante, a Sheila da recepcão liga.

 – Senhora, estarei subindo até o seu quarto com a maquinhinha para fazer o estorno do seu dinheiro…

– Sheila, agora não MESMO. O bercinho acaba de chegar e meu filho vai dormir, e eu também, amanhã resolvemos isso!

– Amanhã será tarde demais, senhora, ela me ameaca de novo.

– Isso é o que veremos, Sheila, eu respondo e desligo.

Eu não dormi bem essa noite. Com a confusão, não coloquei minha filha pra fazer xixi antes de dormir, e claro que ela fez xixi na cama durante a noite. Acordei várias vezes pensando no que falar com a Sheila no dia seguinte, até chegar a conclusão de que seria perda de tempo. Eu precisava falar com algum gerente. O estresse foi muito para uma tarde e uma noite. A banheirinha prometida jamais chegou ao nosso quarto.

No dia seguinte conversei com uma gerente que foi bem atenciosa. Ela me ofereceu uma massagem gratuita como compensacão pelo estresse. Eu disse que era pouco, não estava interessada, pois estava ali para curtir com minha familia, e não para ir passar tempo sozinha fazendo massagem. Eu disse que esperava pelo menos receber uma diária de volta. Ela disse que não tinha autoridade para me devolver a diária, mas passaria para o setor financeiro e eu obteria uma resposta antes do meu check-out.

No dia do meu check-out, a Jussara da central de relacionamento me liga e diz que não foi autorizado o retorno da minha diária, apenas dos meus 100 reais cobrados a mais (quanta bondade!!!!), mas que eles poderiam me oferecer um check-out mais tarde. Olha, só rindo. Expliquei que não tinha interesse em sair mais tarde pois tinha outros compromissos. Ela disse que “estaria passando minha posicão para o setor financeiro”. Não tive mais contato com a Jussara.

Fui embora com uma única certeza: Costa do Sauípe, NUNCA MAIS. Talvez daqui a um bom tempo eu dê outra chance a um outro resort. Mas lá, não mesmo. Paguei para passar estresse e ser mal atendida. Na fazendinha, um rapaz mal-humorado e em completo silêncio (zero empatia com as criancas) faria a ordenha da vaca pelo que várias criancas aguardavam ansiosas. No quiosque da piscina, uma atendente muito mal-humorada balbuciou algo que eu não entendi e quando perguntei de novo – ela respondeu pronunciando bem sílaba por sílaba como se estivesse completamente sem paciência com pessoas surdas como eu. Achei que ela fosse me morder. E várias outras situacões como o rapaz do bar molhado que mal ouviu o meu pedido (eles tem dificuldade em olhar para a gente no rosto, parecem estar voando sempre) e me trouxe uma caipiroska ao invés da caipirinha. E olha gente, o resort estava bem vazio. Nem dá pra usar a desculpa de que estava lotado e os funcionários estavam super-mega-estressados-ocupados.

Ouvi dizer que o Iberostar Praia do Forte é bem melhor. Se você estiver em dúvida, dê uma chance ao Iberostar. Não se hospede no Sauípe se você espera um MÍNIMO de bom atendimento e consideracão com a sua família.

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Itacimirim, Bahia

Quando escrevi o último post estava grávida e tinha acabado de voltar da minha última viagem antes de virar mãe. Isso explica meu desaparecimento e a falta de novidades…

Durante minha licenca-maternidade, passamos 2 meses no Brasil: 1 mês em Vila-Velha/Vitória-ES, e 1 mês em Itacimirim-BA, onde um tio meu tem um casa de praia totalmente pé-na-areia 🙂

Eu imaginei que seria um mês de apenas praia e água de coco. Mas um dia, enquanto comprava uns pães quentes num mercadinho ali perto do condomínio, vi um cartaz que me atraiu a atencão: Itacimirim Ecoturismo!

Peguei o cartãozinho de visita e liguei logo pro Maurício. Agendamos o

passeio e lá fomos nós navegar pelo Rio Pojuca!

Passeio pelo Rio Pojuca

O passeio comeca atravessando um manguezal cheio de carangueijos, sobre uma passarela de madeira bem ecologicamente correta, e pegamos o barco no restaurante Manguezal, provavelmente uma das vistas mais lindas do Brasil!

Depois de ver o encontro do rio com o mar, seguimos rio adentro…

O que é essa visão?

 

Aula de biologia incluída no pacote - obrigada, Mauricio!

 

Depois de um tempo, o barco encostou e descemos numa prainha. A partir daqui, a trilha era pela margem do rio, no meio da mata.

Trilha

Mas essa trilha é a mais basiquinha. Não optei pela mais radical porque estava com meus sogros e meu bebê me esperava pra mamar em casa, tempo estava contadinho 🙂

Valeu cada passo! Chegamos numa parte do rio em que uma pequena cachoeirinha é formada no meio de umas pedras que fazem uma super massagem relaxante!

Delícia!

Depois desse passeio delicioso que durou 3 horas e que eu muito recomendo, fomos almocar num restaurante que é uma verdadeira pérola: o Sombra da Mangueira, no vilarejo de Diogo, um pouco ao norte da entrada da Praia do Forte.

Vá e tome um dos deliciosos sorvetes artesanais de frutas de sobremesa!

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